A tragédia da Irlanda, o 2º país mais rico da Europa
Para grande parte da população global, principalmente dos países de terceiro mundo, o sonho de morar na Europa é sinônimo de estabilidade, qualidade de vida e, acima de tudo, dignidade.
Dentro desta perspectiva, a Irlanda sempre foi considerada um país economicamente seguro, o que a fez se tornar um destino muito procurado por aqueles que buscam uma nova vida fora do seu país natal. Prosperidade, segurança, qualidade de vida e tantos outros aspectos que atraem milhares de pessoas do mundo inteiro. Mas a realidade atual desafia essa narrativa.
Neste artigo você irá entender que talvez não seja bem assim, que o sonho pode ser um pesadelo e que os problemas podem não ser tão diferentes do que acontece em seu próprio país. Continue lendo e você poderá se surpreender quando descobrir a tragédia da Irlanda, o 2º país mais rico da Europa.
A tragédia da Irlanda: quando prosperidade não garante qualidade de vida
Nos últimos anos, a Irlanda passou de exemplo de crescimento econômico acelerado para símbolo de uma das mais graves crises habitacionais da Europa. Morar na Irlanda se tornou impossível para os próprios irlandeses. E quando citamos o termo morar, estamos nos referindo mesmo à moradia, o teto para abrigo. O chamado “milagre” que atraiu multinacionais e investimentos estrangeiros não foi capaz de garantir o básico: moradia acessível para a própria população.
Hoje, falar em viver no país significa, antes de tudo, falar sobre a dificuldade de ter um teto. Nos últimos 10 anos, os aluguéis dobraram de valor. Os preços dos imóveis à venda também. Mais de 15.000 pessoas estão oficialmente em abrigos, mas estima-se que mais de 290.000 pessoas vivem em situação de desabrigo invisível, morando com os parentes ou amigos em sofás ou carros, sem qualquer perspectiva de conseguir moradia própria.
Nos últimos anos, a Irlanda passou de exemplo de crescimento acelerado para símbolo de uma das mais graves crises habitacionais da Europa. Morar na Irlanda tornou-se um desafio até para os próprios irlandeses. E quando falamos em morar, falamos literalmente de ter um teto. O chamado “milagre econômico” que atraiu multinacionais não garantiu o básico: moradia acessível.
Roteiro da crise na Irlanda
Observando por alto, parece um desastre, mas vendo de perto, parece ser pior. A crise não surgiu do nada; há um roteiro quase didático para causar essa crise e a Irlanda seguiu todos os passos:
- Isentou taxas para grandes investidores e incentivou que comprassem imóveis em massa para deixá-los vazios.
- Travou a construção civil com regulamentações excessivas.
- Criou um labirinto de órgãos que podem vetar qualquer projeto por qualquer motivo.
- Estagnou salários, dificultando acesso ao crédito para quem mais precisa.
- Baniu moradias coletivas, como pensionatos e colivings.
- Crescimento do Airbnb reduzindo oferta tradicional.
O resultado foi escassez artificial combinada com aumento constante da demanda. E quando tudo desmoronou, ofereceu abrigos lotados com meses de espera.
Hoje, em um dos países mais ricos do mundo, morar se tornou um problema para uma parte da população.
Mas como um país tão próspero chegou a esse ponto? Quais são os motivos para essa crise habitacional? E por que parece tão difícil sair dela?
Raízes históricas: terra, conflito e desigualdade
Durante a colonização britânica, a maior parte das terras da Irlanda foi tomada pela Coroa britânica e entregue a lordes protestantes. Os irlandeses foram subjulgados por serem católicos e tinham que pagar aluguel para a Corte, como inquilinos da própria terra.
Essa desigualdade culminou na grande fome de 1845, quando a principal safra do país — a batata — foi dizimada por um fungo. Milhões de irlandeses morreram de fome ou migraram. E piorou com outra crise de fome em 1879. Para ter uma ideia do impacto disso, a população caiu de 8 milhões em 1845 para 4,4 milhões em 1901. Quem ficou sem comida e sem apoio dos donos de terra se revoltou.
No momento em que começavam a surgir partidos políticos e a onda democrática, surgiu um movimento com o lema “terra para o povo”. A pressão funcionou e em 1881 foi criada a Land Commission, que permitia aos inquilinos comprar, aos poucos, as terras que cultivavam usando o próprio valor do aluguel. Foi um marco, mas ainda longe do fim. A questão fundiária nunca deixou de ser central.
A divisão da Irlanda e seus efeitos
Em 1921, veio o Tratado que dividiu a ilha em duas. Nasceu ao sul a República da Irlanda e ao Norte uma região ligada ao Reino Unido — a Irlanda do Norte. Essa divisão reacendeu as tensões. Nacionalistas católicos queriam uma Irlanda unificada, livre da influência britânica. Já os unionistas protestantes queriam manter o norte ligado à Coroa. Isso gerou uma guerra civil dentro da própria Irlanda, seguida por décadas de violência. O grupo mais conhecido foi o IRA — Irish Republican Army, o exército republicano irlandês, que lutava para reunificar a ilha.
Durante este período, muita gente perdeu suas casas ou foi deslocada à força. A República da Irlanda recorreu novamente à Land Commission para redistribuir terras desocupadas e criou os primeiros auxílios para compra de terrenos. Mas o processo foi secreto e até hoje não se sabe exatamente quem se beneficiou.
E ainda havia outro problema: o costume medieval do gavelind, que dividia as terras como herança entre os filhos homens. Com o passar das gerações, isso foi tornando os lotes tão pequenos que não davam mais sustento, principalmente numa época em que a maioria dependia da agricultura para sobreviver.
O nascimento do chamado milagre irlandês
Após a guerra, começou mais uma onda de migração. Agora com o paradoxo: havia terra disponível, mas ninguém conseguia se manter. Nos anos 60, a população atingiu os números mais baixos em 300 anos: 2,8 milhões de habitantes, e se iniciou a transição de uma economia protecionista para uma abordagem mais aberta.
O Estado começou a reduzir seu controle direto sobre indústrias e a estimular o comércio exterior. Nos anos 70, eles entraram para a União Europeia. Na época, empresas multinacionais pagavam apenas 10% de impostos, enquanto as locais pagavam 30%. Só no final dos anos 90 os impostos foram padronizados para todas as empresas em 12,5%, enquanto a média da União Europeia era de 20,3%.
Numa época em que as empresas de tecnologia começavam a crescer, o país se tornou o paraíso fiscal perfeito. Estabelecendo propriedade intelectual na Irlanda, a empresa poderia redirecionar os lucros para lá e considerar essa transferência uma despesa em seu país de origem, assim reduzindo ou anulando seus impostos locais. Dessa forma, empresas de fachada começaram a ter receitas imensas, pagando impostos baixíssimos sem ter sequer produção local. Essa estratégia ficou conhecida como Double Irish e até hoje enche os cofres públicos da Irlanda. Isso gerou um verdadeiro milagre econômico entre os anos 90 e a primeira metade dos anos 2000.
O fim do conflito e o início da tragédia da Irlanda
Em 2005, o IRA finalmente entregou as armas e foi declarado o fim dos conflitos armados contra a Irlanda do Norte.
Nos anos pacíficos e produtivos que se seguiram, a Irlanda viveu um dos mais longos booms imobiliários já registrados. Em 2012, havia mais de 200.000 casas vazias e se estimava que poderia levar até 2025 para absorver o excedente.
A chegada de empresas como Google, Apple e Meta transformou Dublin no vale do silício europeu, atraindo imigrantes e gerando uma nova onda de crescimento populacional.
Com salários muito acima da média nacional, os profissionais estrangeiros contratados por essas gigantes da tecnologia passaram a disputar os imóveis disponíveis nos centros urbanos, vencendo facilmente os moradores locais na corrida por aluguéis cada vez mais caros.
Foi nesse cenário que, em 2013 os pensionatos foram banidos, sob o argumento de que ninguém deveria viver em uma moradia sem banheiro privativo. A intenção era melhorar o padrão das acomodações disponíveis no mercado, mas a medida eliminou opções acessíveis para estudantes e trabalhadores de baixa renda.
Em 2020, os chamados colivings também foram proibidos sob justificativa sanitária durante a pandemia. Eles eram empreendimentos mais gourmetizados, populares entre jovens e nômades digitais, tendo quartos com banheiro privativo, mas com cozinha compartilhada.
Enquanto isso, imóveis adquiridos por fundos de investimentos durante o boom foram mantidos fechados de propósito, reduzindo artificialmente a oferta e contribuindo para o aumento dos aluguéis que cresceram em média 7% ao ano.
O crescimento do Airbnb agravou ainda mais o quadro, transformando residências em hotéis de curta duração.
O contraste é evidente. Atualmente, por volta de 2.000 propriedades estão disponíveis para aluguel tradicional, enquanto quase 20.000 estão anunciadas no Airbnb e os irlandeses enfrentam aluguéis subindo 7% ao ano com o euro, uma moeda relativamente estável. Imagine se além disso a própria moeda estivesse perdendo valor, como acontece com o real brasileiro.
O peso social da crise
Em meio a números e estatísticas de dados econômicos frios, a tragédia da Irlanda ganha rosto humano. Famílias vivem meses dentro de carros, crianças crescem sem estabilidade e trabalhadores empregados dormem em sofás de conhecidos. Em um dos países mais ricos da Europa, o sonho europeu virou incerteza cotidiana para milhares de pessoas.
Um exemplo é o casal Jordan e Jonathan e sua filha Laila, de 1 ano de idade. Enfrentando problemas de saúde e desemprego, eles passaram 10 meses morando no carro e dormindo de favor na casa de conhecidos, sem segurança, alimentação adequada ou estabilidade emocional. Foram 10 meses no carro com um bebê e ao buscarem ajuda, ouviram que não eram prioridade. Como aponta o chefe de operações do Instituto Simon, isso cria lacunas significativas nas definições atuais de desabrigo. Expandir esse conceito é essencial para proteger pessoas em situação de insegurança habitacional que hoje são invisíveis para o sistema. Graças à atuação de um vereador (councillor) da cidade de Dublin, a família foi enfim alocada em uma residência emergencial, mas estão longe de ser exceção.
Justin, um assistente social que trabalhava justamente em um desses abrigos, também acabou em situação de rua. A ironia é que ele aparece em um documentário da DW mostrando que os próprios abrigos públicos seguem o modelo dos empreendimentos que o governo proibiu. Pequenos, lotados, com banheiro e cozinha compartilhados. Tudo isso sem contar a recepção de refugiados. Entre 2022 e 2024, a Irlanda recebeu mais de 100.000 refugiados vindos da guerra da Ucrânia. Hotéis foram convertidos em alojamentos temporários e acampamentos modulares foram construídos, sobrecarregando cidades pequenas e provocando protestos violentos, inclusive incêndios criminosos em prédios que receberam imigrantes.
O problema é claro: a oferta de moradias não acompanhou o crescimento da população e os desafios relacionados à disponibilidade e acessibilidade da habitação afetam tanto o bem-estar de determinados segmentos da sociedade quanto a competitividade da economia, conforme afirmou Álvaro Pereira, economista-chefe da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Diante desse cenário, o governo admitiu o problema. Em 2024, anunciou a meta de construir em média 50.000 casas por ano entre 2025 e 2030, reconhecendo um déficit habitacional de pelo menos 250.000 residências. Esse número é coerente com as estimativas do Instituto Simon, que sugere que cerca de 290.000 pessoas vivem hoje em situação de desabrigo invisível, ainda que os dados oficiais considerem sem teto apenas os 15.000 em abrigos e os 45.000 em listas de espera.
Gastos públicos e prioridades
Assim se desenvolveu a bolha imobiliária irlandesa e agora faltam propriedades para morar. Quando o mercado se distorce com incentivos errados, especulação e escassez artificial, o papel do Estado deveria ser o de corrigir o rumo, ajustar os entráveis do mercado imobiliário, facilitar a indústria da construção civil e investir em infraestrutura. Mas mesmo com os cofres cheios e demanda crescente, o que o governo fez?
Com a população crescendo e com a infusão de caixa nos cofres públicos, era de se esperar um forte incentivo para a construção de moradias. Em vez disso, a máquina pública também começou a crescer e seus gastos vêm crescendo ano após ano, mesmo com as crises que afetaram o país e o resto do mundo.
Em 2015, o governo teve um gasto público de 70 bilhões de euros. Em 2024, os gastos passaram de 116 bilhões. Os gastos aumentaram muito em uma década e as condições de vida não seguiram melhorando. E para onde está indo esse dinheiro? Desse montante de 2024, apenas 8 bilhões foram para as iniciativas de habitação, enquanto uma parcela grande dessa mamata de 24 bilhões foi para as chamadas QUANGOs (Quasi-Autonomous Non-Governmental Organisations), que significam Organizações Não Governamentais Quase Autónomas. Essas instituições possuem receita de serviços e burocracias, mas dependem de financiamento do Estado. São departamentos como de marketing de turismo, TV estatal e diversos braços de regulamentação.
O Banco Central irlandês, por exemplo, que supostamente atua na regulamentação financeira, possui 2.100 funcionários públicos. Em comparação, a Dinamarca, um país com tamanho parecido e que possui a própria moeda, emprega 950 para as mesmas funções, menos da metade que na Irlanda, onde as instituições financeiras já são reguladas pela União Europeia em um país que nem mesmo possui moeda própria, e em meio à crescente digitalização das operações bancárias.
Enquanto o governo esbanja, a Irlanda vive um paradoxo: um país onde existem vagas de emprego e muita demanda para mão de obra, mas não tem lugar para essa gente toda morar. Isso se tornou um obstáculo pro próprio funcionamento da economia. 81% das empresas relatam dificuldade para contratar, enquanto jovens formados deixam o país ou não conseguem se manter nas cidades onde estudam e trabalham.
Existe emprego. Existe arrecadação. Existe superávit. Mas falta moradia.
O que está sendo feito?
É difícil acreditar que tudo isso acontece no país que atualmente tem o quarto maior PIB per capita do mundo e segundo maior da União Europeia. A Irlanda é, no papel, uma das nações mais ricas do mundo, mas, na realidade, uma boa parte da sua população não consegue sequer um lugar para viver. Diante de um cenário tão desigual, o mínimo que se espera são medidas à altura do problema. E o que está sendo feito?
Depois de muito atraso e pressão popular, o governo enfim tirou do papel um plano que, na prática, ainda patina. Após reconhecer o déficit de moradias e a necessidade de construir 50.000 casas por ano até 2030, o governo irlandês apresentou o plano Housing for All, comprometendo-se oficialmente com a entrega de 33.000 novas unidades por ano. Mas os números mostram que isso está longe de ser suficiente. Entre abril de 2018 e março de 2024, foram construídas apenas 144.704 moradias, uma média de apenas 24.000 por ano. Isso significa que para cumprir o objetivo, os esforços atuais precisam ser quase duplicados.
Algumas barreiras incluem:
Escassez de mão de obra, que dificulta a execução dos projetos aprovados;
Burocracia na fase de aprovação;
Falta de infraestrutura básica, como água e energia;
E muitos empreendimentos enfrentam a resistência de moradores locais apoiados por departamentos federais e órgãos ambientais que têm poder de veto sobre as construções.
Algumas medidas poderiam destravar esse cenário. Uma delas seria dar mais autonomia aos municípios, permitindo que decidam localmente sobre novos projetos em vez de depender de leis federais que frequentemente travam a expansão urbana. Também se discute rever o veto aos colivin e pensionatos, permitindo que as pessoas que não tenham onde morar decidam o que aceitam ou não em suas escolhas de moradia, em vez de ficarem reféns das definições hipócritas do governo sobre o que é considerado aceitável, já que as acomodações públicas seguem justamente o padrão que foi proibido.
Outra opção é reabilitar imóveis antigos, hoje desocupados por entraves legais e exigências excessivas. A legislação parte do princípio de full compliance, exige padrão de obra nova até para construções históricas. Isso inviabiliza a reutilização de centenas de imóveis que poderiam ser adaptados com soluções simples e funcionais.
Efeitos reversos
Em vez de incentivar soluções locais e sustentáveis, como o uso de madeira ou cântivos no país, a construção civil ainda depende majoritariamente da importação de materiais caros, aumentando custos e atrasos, mesmo quando os insumos já existem dentro da própria Irlanda. Mas aumentar a oferta não basta se a demanda continuar sem poder de compra.
A iniciativa Help to Buy, criada para ajudar compradores de primeira viagem, acabou beneficiando pessoas de renda mais alta, que foram adquirindo imóveis mais caros. Segundo análises, a política provavelmente contribuiu para o aumento dos preços, justamente o efeito oposto ao desejado.
Já a iniciativa Housing Assistant Payment, uma assistência para o pagamento de aluguéis, não conseguiu ajudar. À medida que os aluguéis continuam a disparar, os limites da assistência não acompanharam esse aumento e as pessoas necessitadas não conseguem o valor necessário. Uma tentativa de conter esse aumento foi o controle de aluguéis implementado em 2016. A proposta era proteger inquilinos dos custos crescentes e ganhar tempo para que a oferta se equilibrasse. Mas, novamente, o tiro saiu pela culatra. Desenvolvedores alegam que os controles somados ao aumento dos juros asfixiaram a construção de novos imóveis para a locação. O número de apartamentos construídos em 2024, majoritariamente destinados ao mercado de aluguel, caiu 24% em relação ao ano anterior. Ou seja, até as tentativas de solução acabaram agravando o problema.
E tudo isso num país que supostamente é exemplo de sucesso econômico, tem o maior PIB per capita da União Europeia e atrai gigantes da tecnologia com incentivos fiscais agressivos. Mas será que é assim mesmo?
A economia do duende (Leprechaun Economy)
Essa prosperidade da Irlanda é uma mera fantasia e tem nome: a chamada “Leprechaun Economy” — ou “economia do duende” — um termo criado para ironizar o crescimento artificial do PIB da Irlanda em 2015, quando o país registrou uma expansão impressionante de 26% em um único ano.
A expressão foi popularizada pelo economista Paul Krugman para criticar o impacto contábil das multinacionais que transferiram ativos e lucros para o território irlandês por razões fiscais, inflando estatísticas oficiais sem que isso representasse um aumento real proporcional na renda ou no bem-estar da população. Na prática, o PIB inflou — mas a renda real e o acesso à moradia não acompanharam.
Assim, a “economia do duende” tornou-se símbolo de um crescimento ilusório: números exuberantes nos relatórios macroeconômicos, mas pouca correspondência prática na vida cotidiana dos cidadãos. Essa ilusão contábil pode ser entendida da seguinte forma: um bilionário entra no bar e, de repente, a média de renda de todos os presentes se eleva, mesmo que ninguém tenha ficado mais rico.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é a tragédia da Irlanda?
É a grave crise habitacional que afeta o país, marcada por aluguéis elevados, escassez de imóveis e aumento do desabrigo, apesar do forte crescimento econômico.
Por que a Irlanda enfrenta crise de moradia?
Combinação de especulação imobiliária, restrições à construção, crescimento populacional e incentivos fiscais que inflaram o mercado.
A economia da Irlanda é realmente forte?
O PIB é alto, mas parte do crescimento é resultado de transferências contábeis de multinacionais, o que não reflete integralmente a realidade social.
Quantas pessoas estão sem moradia na Irlanda?
Mais de 15.000 estão oficialmente em abrigos, e estima-se que cerca de 290.000 vivam em situação de desabrigo invisível.
Um paradoxo europeu
A crise habitacional é o reflexo de um modelo que prioriza estatísticas, aparências e investidores estrangeiros, enquanto ignora as necessidades básicas de quem vive ali. Apesar da ilusão e dos gastos públicos inchados, a arrecadação anual da Irlanda continua maior do que seus gastos. Em 2024, a arrecadação foi de 148 bilhões de euros. Sobraram 23 bilhões em seus cofres, um superávit invejável. Logo, não faltam recursos. O que falta é alinhamento entre crescimento econômico e bem-estar social.
No fim das contas, a crise da habitação na Irlanda mostra que não basta encher os cofres de dinheiro se ele não se transforma em soluções para os problemas da população.
A tragédia da Irlanda revela que prosperidade estatística não garante qualidade de vida. Se até um dos países mais ricos da Europa enfrenta uma crise habitacional severa, talvez seja hora de repensar o modelo que prioriza investidores e indicadores macroeconômicos enquanto ignora necessidades básicas.
A tragédia da Irlanda não é apenas um problema local. É um alerta global. E se isso acontece até em um dos países mais ricos da Europa, talvez seja a hora de reavaliarmos o quanto prejudicial pode ser a busca pelo lucro incessante em detrimento das pessoas.
Na vitrine abaixo, selecionamos algumas publicações para você se aprofundar mais no assunto.
E então, você estava achando que morar na Europa é sinônimo de estabilidade? Comente abaixo se essa história da Irlanda mudou a forma como você vê esses países.
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